tempo

Em um mês tudo mudou. Ela se mudou de apartamento, trocou de emprego, comprou roupas novas e móveis novos. Tudo isso em um mês. O tempo é lógico.

Lógico para cada pessoa, porque o tempo é, necessariamente, inconsciente: “quanto tempo se leva para esquecer um grande amor?” – a resposta vem rápido: “seis meses.” – quem disse? “Eu”.

Você pode fazer o seu tempo, as coisas ao seu tempo, minha vó dizia: “Ah…no meu tempo”. Sim, no tempo dela.

Esgoto as possibilidades para entender que as meias verdades que nos acometem são criações de nossa própria cabeça. E que tudo tem seu tempo.

Qual o tempo hoje? Os nativos digitais diriam: “Daqui a três partidas de Wii, estaremos aí”. Meu pai diria: “Está um dia lindo de sol!”; eu diria: “tempo pra quê?”

Pra depois.  Só depois entendemos os reais motivos das atitudes, das reviravoltas e de tudo o que vem a reboque com o durante. Isto posto, vale um paralelo com o filme Up – o velhinho passa a vida toda guardando seu desejo mais fervoroso e, só depois ele percebe que este desejo já tinha se realizado muito antes d’ ele perceber. Ao invés de conquistar um espacinho no vale ao lado da cachoeira, ele já tinha conquistado as terras calientes do coração da sua senhora.

E tinha sido feliz.
Tempo passado.
Percebeu depois.
Mas o que importa: deu tempo de perceber.