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Revendo fotos e fatos de nossa infância, sempre podemos aprender mais sobre nossos pais, nossas origens, enfim, sobre nós mesmos.

No fim de semana que passou, eu estive em Indaiatuba, onde morei até os meus movimentados 21 anos.  Meus pais ainda moram lá, na mesma casa, do mesmo jeitinho, agora com mais conforto e tempo para dedicar aos filhos, mesmo que eu só os veja a cada dois meses, mais ou menos.

Enquanto eu contemplava as fotos, lembrei que, durante muito tempo da minha vida, eu achei que meus pais eram culpados por tudo o que acontecia comigo, e claro, são. Os filhos, naturalmente, são espelhos do inconsciente dos pais – ou de quem os educa.  E isso pode ser maravilhoso!

Em tudo o que fazemos, mesmo sem perceber, buscamos como referência uma origem. Um “ter em que ou em quem acreditar”. Para isso e por isso, existem as religiões, crenças, times de futebol, e tudo o que defendemos de olhos fechados, porque acreditamos que somos parte daquilo.

Ampliando este conceito de origens e referências, é possível explicar um pouco do porquê de a sociedade estar fragmentada e esquizofrênica: a falta de um Pai, de um limite, de um valor, de um conceito. A crueldade venceu, o Estado faliu, as grandes empresas estão quebrando – sim – apenas acompanhando a quebra de paradigmas extremamente importantes.

Se não existir um limite, corremos o risco de perder as referências, o passado, e tudo começa a ficar fluido e rápido. Você nem se lembra do que viu na televisão ontem, não se lembra dos nomes das pessoas, das feições, está cego, sim, e é obrigado a caminhar com a ajuda de aparelhos que prometem medir satisfação, desejo, que prometem adivinhar o futuro…. e a vida vai ficando previsível. Quem diria pré-visível. “Pré-firo” as surpresas.

Resgatar as lembranças, relembrar minha origem, olhar para os meus pais e me ver como sou hoje, me trouxe inspiração para, aqui no meu espaço, tentar explicar um pouco o que anda acontecendo por aí e ninguém consegue nomear. Porque não tem mais nome.  Foi-se a era do Nome. Sim, foice. Estamos cortados, atravessados.

Então, talvez uma modificação na frase de Lênin compense aqui: “O futuro pertence à jovem guarda”, eu diria que pertence ao jovem que guarda.