O tempo, é lógico.

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Em um mês tudo mudou. Ela se mudou de apartamento, trocou de emprego, comprou roupas novas e móveis novos. Tudo isso em um mês. O tempo é lógico.

Lógico para cada pessoa, porque o tempo é, necessariamente, inconsciente: “quanto tempo se leva para esquecer um grande amor?” – a resposta vem rápido: “seis meses.” – quem disse? “Eu”.

Você pode fazer o seu tempo, as coisas ao seu tempo, minha vó dizia: “Ah…no meu tempo”. Sim, no tempo dela.

Esgoto as possibilidades para entender que as meias verdades que nos acometem são criações de nossa própria cabeça. E que tudo tem seu tempo.

Qual o tempo hoje? Os nativos digitais diriam: “Daqui a três partidas de Wii, estaremos aí”. Meu pai diria: “Está um dia lindo de sol!”; eu diria: “tempo pra quê?”

Pra depois.  Só depois entendemos os reais motivos das atitudes, das reviravoltas e de tudo o que vem a reboque com o durante. Isto posto, vale um paralelo com o filme Up – o velhinho passa a vida toda guardando seu desejo mais fervoroso e, só depois ele percebe que este desejo já tinha se realizado muito antes d’ ele perceber. Ao invés de conquistar um espacinho no vale ao lado da cachoeira, ele já tinha conquistado as terras calientes do coração da sua senhora.

E tinha sido feliz.
Tempo passado.
Percebeu depois.
Mas o que importa: deu tempo de perceber.

Intimidade coletiva

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Revendo fotos e fatos de nossa infância, sempre podemos aprender mais sobre nossos pais, nossas origens, enfim, sobre nós mesmos.

No fim de semana que passou, eu estive em Indaiatuba, onde morei até os meus movimentados 21 anos.  Meus pais ainda moram lá, na mesma casa, do mesmo jeitinho, agora com mais conforto e tempo para dedicar aos filhos, mesmo que eu só os veja a cada dois meses, mais ou menos.

Enquanto eu contemplava as fotos, lembrei que, durante muito tempo da minha vida, eu achei que meus pais eram culpados por tudo o que acontecia comigo, e claro, são. Os filhos, naturalmente, são espelhos do inconsciente dos pais – ou de quem os educa.  E isso pode ser maravilhoso!

Em tudo o que fazemos, mesmo sem perceber, buscamos como referência uma origem. Um “ter em que ou em quem acreditar”. Para isso e por isso, existem as religiões, crenças, times de futebol, e tudo o que defendemos de olhos fechados, porque acreditamos que somos parte daquilo.

Ampliando este conceito de origens e referências, é possível explicar um pouco do porquê de a sociedade estar fragmentada e esquizofrênica: a falta de um Pai, de um limite, de um valor, de um conceito. A crueldade venceu, o Estado faliu, as grandes empresas estão quebrando – sim – apenas acompanhando a quebra de paradigmas extremamente importantes.

Se não existir um limite, corremos o risco de perder as referências, o passado, e tudo começa a ficar fluido e rápido. Você nem se lembra do que viu na televisão ontem, não se lembra dos nomes das pessoas, das feições, está cego, sim, e é obrigado a caminhar com a ajuda de aparelhos que prometem medir satisfação, desejo, que prometem adivinhar o futuro…. e a vida vai ficando previsível. Quem diria pré-visível. “Pré-firo” as surpresas.

Resgatar as lembranças, relembrar minha origem, olhar para os meus pais e me ver como sou hoje, me trouxe inspiração para, aqui no meu espaço, tentar explicar um pouco o que anda acontecendo por aí e ninguém consegue nomear. Porque não tem mais nome.  Foi-se a era do Nome. Sim, foice. Estamos cortados, atravessados.

Então, talvez uma modificação na frase de Lênin compense aqui: “O futuro pertence à jovem guarda”, eu diria que pertence ao jovem que guarda.

A diferença da semelhança.

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Cada um tem seu gosto.
Com algum conhecimento, que a psicanálise me permtiu ao longo desses anos, entendo que “O desejo é sempre o desejo do Outro.” Mas… o que fazer com essa célebre descoberta?

Entender que, por mais que a gente ofereça pacotes de genialidade embrulhados com laço de fita, o que importa é o que quem o recebe encontra ali.

Em um momento em que as pessoas buscam se diferenciar da multidão, tentam personalizar seu perfil, chamar a atenção para suas fotos, vídeos, palavras, no mundo virtual - que eu aliás insisto em dizer: torna todos nós um pouco mais artistas -, é preciso saber encontrar a medida certa.

Ontem eu participei da última aula do curso que fiz com o professor Vinícius Andrade Pereira, sobre comunicação, consumo e afetos na Cibercultura – excelente, por sinal – e saí bastante convicta da minha opinião: é preciso reinventar, inovar e repensar os modelos de negócios, os modelos de ensino, os modelos de comportamento, diante de uma sociedade tão fragmentada e em busca constante de identificação.

Chega perto da resposta aquele que consegue pensar além do modelos tradicionais, que consegue retroceder, criar e convencer. Tudo ao mesmo tempo, ontem.

Escrevo pouco ainda, somente o necessário, apenas um primeiro lampejo do meu pensamento.

10923298342 informações por segundo.

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Para inaugurar o blog fiquei pensando qual seria o assunto mais emblemático para uma grande estreia. E… ops! Não é que esbarrei justamente no oposto do que deveria ser? Explico.

Não temos nada emblemático, nada marcante, porque tudo se transforma em notícia ultrapassada a cada twittada ou escaneada com os olhos – sim, porque o usuário escaneia – na tela do computador.
O que escrever se o atual se torna antigo em poucos segundos? Sim, você tem twitter? RSS? Latitude? Iphone? Itouch? Yes, we can, but I can’t.

Onde foi parar o particular de cada um? Digital? Sim, antes significava marca única e própria do sujeito, usada na carteira de identidade. Agora, passa a ser a palavra que acompanha uma outra que vem antes: era. Sim, era digital, não é mais. Pesquisamos os nativos digitais. Nome estranho? Gente esquisita? Não, NOT! Realidade real e virtual e ai de quem não acompanhar a evolução.

Eu, particularmente, pesquiso sobre tecnologia e tento entender como podemos adpatar a vida cotidiana a essa nova realidade que traz o novo a todo instante. Questiono o poder das invenções e inovações, a qualidade de vida da sociedade ao meu redor, porque querer falar do mundo inteiro é utopia. Falo do que me é familiar. Arrisco palpites, mas não há verdade definitiva e nem inteira.

Mais que isso, penso em novas formas de comunicação sem que o sujeito perca a individualidade ou seja caracterizado apenas por seu IP ou sua conexão wi-fi. Isso dava samba, mas por hora me contento com o blog.

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